DIFERENÇAS IRRECONCILIÁVEIS:
Terapia Focada nas Emoções e Antropologia Bíblica

Marshall Adkins1

Introdução

A Terapia Focada nas Emoções (TFE)2 é uma abordagem clínica de curto prazo dentro da modalidade de terapia conjugal. A TFE é apresentada como baseada em evidências, empiricamente fundamentada e comprovadamente eficaz.3 A abordagem tem atraído a atenção de terapeutas de casamento e família em todo o espectro do aconselhamento cristão.4 Defensores do integracionismo cristão e da psicologia cristã têm argumentado em favor da integração, tradução ou redenção das metodologias da TFE para uma abordagem cristã de aconselhamento.5 A questão é se os pressupostos principais da TFE são compatíveis com o ensino das Escrituras cristãs. Além disso, se houver incongruência entre os pressupostos centrais da TFE e a doutrina bíblica, devem ser consideradas as implicações de se tentar adotar suas técnicas terapêuticas. Como todas as teorias de aconselhamento, a TFE é sustentada por uma sólida base filosófica da qual derivam suas metodologias.6 A principal teórica da TFE, Susan Johnson, fornece, de forma útil, declarações claras acerca dos pressupostos filosóficos que fundamentam as metodologias da TFE.7 As técnicas e metodologias da TFE são projetadas para alcançar tarefas específicas dentro de uma estrutura terapêutica bem definida, meticulosamente construída sobre uma base filosófica específica. No que segue, os principais pressupostos da TFE serão delineados e examinados à luz da doutrina bíblica, a fim de demonstrar a disparidade entre ambos. A tese deste artigo é que a Terapia Focada nas Emoções deve ser rejeitada pelos cristãos com base no fato de que os pressupostos principais da teoria, conforme articulados por Susan Johnson, são incompatíveis com a antropologia bíblica.

Definição de Termos e Escopo da Tese

O propósito deste artigo é demonstrar a disparidade entre os pressupostos principais da teoria de TFE de Susan Johnson e a antropologia bíblica. Susan Johnson é uma das fundadoras e principais arquitetas da teoria e da prática da TFE. A TFE é caracterizada por pressupostos específicos acerca da natureza humana, funcionamento, relacionamentos, problemas e soluções.8 Johnson apresenta cinco pressupostos principais que formam a base ideológica da TFE. Primeiro, ela argumenta que ?o paradigma mais apropriado para a intimidade adulta é o de um vínculo emocional? e que ?a questão central no conflito conjugal é a segurança desse vínculo.?9 Segundo, ela sugere que ?a emoção é fundamental na organização dos comportamentos de apego e na organização da forma como o eu e o outro são experimentados em um relacionamento íntimo.?10 Terceiro, ela afirma que ?os problemas nos relacionamentos são mantidos pela forma como as interações são organizadas e pela experiência emocional dominante de cada parceiro na relação.?11 Quarto, ela propõe que ?as necessidades e desejos de apego dos parceiros são essencialmente saudáveis e adaptativos.?12 Quinto, ela teoriza que ?a mudança na TFE está associada ao acesso e ao reprocessamento da experiência emocional subjacente à posição de cada parceiro no relacionamento.?13 Estes são cinco pressupostos principais específicos da TFE apresentados por Johnson que serão avaliados a seguir.

Embora outros pontos de vista possam ser adotados, a perspectiva da antropologia oferece uma lente através da qual se podem observar as disparidades existentes entre os pressupostos principais da TFE e os ensinamentos centrais da Bíblia. A antropologia bíblica trata do que a Bíblia ensina acerca do que significa ser humano. Por incompatibilidade, entende-se que os princípios antropológicos da TFE se opõem ao ensino das Escrituras, de modo que ambos não podem coexistir de forma coerente. Um pode ser verdadeiro e o outro falso, mas ambos os sistemas não podem ser simultaneamente verdadeiros. A disparidade que será demonstrada entre a TFE e a antropologia bíblica apresenta um problema para aqueles que buscam integrar, traduzir ou redimir, de forma eclética, as metodologias da TFE em uma abordagem cristã de aconselhamento. A implicação, portanto, é que os métodos da TFE não são filosoficamente neutros, mas fazem parte de um sistema mais amplo com compromissos antropológicos contrários aos ensinamentos das Escrituras.

História e Desenvolvimento da TFE

A TFE surgiu na década de 1980 no trabalho do psicólogo canadense Leslie Greenberg juntamente com uma de suas alunas, Susan Johnson.14 A TFE é experiencial, orientada ao processo e focada nas emoções. A teoria originalmente se desenvolveu como uma reação às abordagens psicanalíticas, comportamentais e cognitivas, incorporando o humanismo da chamada terceira força15 da psicologia. Trata-se de um desdobramento da psicoterapia experiencial de processo desenvolvida por Greenberg para a modalidade de terapia individual. A TFE combina teorias centradas na pessoa, do apego e sistêmicas.16 A teoria sustenta que as pessoas são essencialmente boas e, se lhes forem dadas as condições adequadas, tenderão ao crescimento.17 O processo terapêutico na TFE não é orientado por informação e conteúdo, mas pela experiência e pelo processo. À maneira rogeriana, a aliança terapêutica deve ser caracterizada por uma postura empática, não diretiva e afirmativa em relação ao cliente. A TFE adota a fenomenologia epistêmica e pressupõe que a experiência do cliente é a realidade primordial e que a ?verdade? é o produto perceptivo do campo fenomenal do cliente.18

Até 1996, Susan Johnson havia ampliado a abordagem experiencial de processo, estabelecendo sua própria abordagem e se distinguindo de Greenberg, ao acrescentar contribuições da teoria do apego.19 Johnson foi influenciada pelo trabalho de John Bowlby e passou a argumentar que o apego adulto é a chave para compreender os relacionamentos humanos.20 Embora haja sobreposição significativa e semelhanças, a TFE de Johnson deve ser distinguida do modelo de Greenberg. Em meio às semelhanças, a principal distinção está na forma como Johnson utiliza as teorias do apego e dos sistemas. Johnson propôs que a TFE é ?integrativa?, significando que ?integra um foco intrapsíquico sobre como os indivíduos processam sua experiência, particularmente respostas emocionais fundamentais orientadas ao apego, com um foco interpessoal sobre como os parceiros organizam suas interações em padrões e ciclos.?21

TFE e Aconselhamento Cristão

Desde o nível popular até o meio acadêmico cristão, a relação entre o cristianismo e a TFE permanece em debate contínuo. Como indicado anteriormente, a TFE tem sido uma teoria de interesse para integracionistas cristãos e psicólogos cristãos.22 De forma mais ampla, o trabalho de Johnson foi popularizado e direcionado diretamente a um público cristão.23 O alcance da influência da TFE expandiu-se por meio de diversos livros de caráter popular escritos por Johnson. No discurso acadêmico, alguns têm apresentado argumentos em favor da criação de uma versão cristã de modelos terapêuticos humanistas-experienciais como a TFE.24

Pode uma abordagem cristã de aconselhamento matrimonial adotar as perspectivas e técnicas da TFE? Jay Adams argumentou que ?sistemas bem elaborados são pacotes autossuficientes.?25 Ele enfatizou que métodos terapêuticos não são transferíveis entre sistemas de aconselhamento, pois sugeriu que ?os métodos não existem isoladamente, mas fazem parte de sistemas.?26 Por essa razão, Adams distinguiu as práticas de aconselhamento como ?meios? ou ?métodos?. Um ?meio? de aconselhamento é uma ferramenta basicamente neutra e ?não orientada?, enquanto um ?método? de aconselhamento é ?orientado a objetivos e consiste em formas estruturadas de utilizar meios.?27 Ele discutiu uma amostra de seis meios comuns de aconselhamento, incluindo falar, ouvir, recompensar/punir, agir, questionar e utilizar as Escrituras.28 Ele demonstrou que cada meio de aconselhamento não pode ser adotado a partir dos métodos de outras teorias sem ser contaminado pelas pressuposições e objetivos inerentes à outra teoria. Por exemplo, ele contrasta o meio de ouvir com o método de escuta rogeriana.29 As duas formas de escuta podem parecer semelhantes, mas não são a mesma atividade devido às pressuposições e objetivos incorporados. Por essa razão, Adams sugere esclarecer as pressuposições, o propósito e o objetivo final do meio para garantir que ele constitua um método verdadeiramente bíblico.

A TFE é um sistema de aconselhamento complexo que oferece muito mais do que um conjunto de técnicas neutras. A TFE possui uma visão clara do que significa o ser humano, do que dá errado nos relacionamentos humanos e de como resolver problemas relacionais. As técnicas da teoria são métodos inseparavelmente entrelaçados com suas pressuposições filosóficas e objetivos terapêuticos. Por essas razões, uma tentativa de integrar, traduzir ou redimir os métodos da TFE é inviável, pois o método é coerente e funcional apenas dentro do modelo terapêutico de origem.30

Doug Bookman oferece um arcabouço para descrever o processo pelo qual integracionistas cristãos e psicólogos cristãos buscam incorporar percepções da teoria psicológica em uma abordagem cristã de aconselhamento.31 O autor menciona o trabalho de Bookman para reforçar que a disparidade ontológica impede cristãos de adotarem métodos de estruturas terapêuticas como a TFE. Bookman apresenta três questões sob a forma de três perguntas. As três questões relacionadas à integração de psicologia e teologia são ontologia, ética e metodologia.32 Primeiro, a questão ontológica responde se teologia e psicologia podem ser integradas. Segundo, a questão ética responde se teologia e psicologia devem ser integradas. Terceiro, assumindo permissão ontológica e ética, a questão metodológica responde como teologia e psicologia podem ser mais bem integradas.

No caso da TFE, integracionistas afirmam que suas percepções podem e devem ser incorporadas a uma abordagem cristã de aconselhamento. Há, entretanto, o reconhecimento de que as pressuposições neo-humanistas são incompatíveis com a doutrina bíblica.33 Ainda assim, a discussão rapidamente avança para a adoção da metodologia sem tratar adequadamente da disparidade ontológica subjacente. Os métodos são considerados neutros e passíveis de recontextualização dentro de um paradigma cristão. À luz das percepções de Adams e Bookman, entretanto, é razoável sugerir que a extração de metodologia da TFE para uso no aconselhamento cristão é inviável. O principal argumento apresentado neste trabalho é que as pressuposições centrais da TFE são ontologicamente incompatíveis com a doutrina bíblica.34 Bookman afirma, de modo geral, que é ?a essência da teologia que a torna constitucionalmente incompatível com a psicologia.?35 Aplicado à TFE, este autor sustenta que suas pressuposições centrais são ?constitucionalmente incompatíveis? com a doutrina bíblica.

Ainda assim, psicólogos cristãos e integracionistas procuram fazer uso da TFE.36 Um psicólogo cristão argumenta que é essencial que conselheiros cristãos sejam informados pela TFE.37 A estratégia dos integracionistas e psicólogos cristãos é retrabalhar, redefinir e recontextualizar técnicas da teoria e metodologia da TFE.38 Michael McFee e Philip Monroe argumentam: ?Parece que considerar a relação entre modelos psicoterapêuticos humanistas e compreensões cristãs de mudança e crescimento como uma tradução entre dialetos (em vez de integrar duas cosmovisões concorrentes) oferece mais opções aos profissionais cristãos mais reflexivos.?39 Especificamente, as técnicas de interesse para McFee e Monroe são ?compreensão empática, exploração empática, orientação de processo, presença experiencial e respostas não experienciais diretivas de conteúdo.?40 McFee e Monroe rejeitam a ideia de que a TFE e o cristianismo devam ser abordados como ?duas cosmovisões concorrentes?, o que significa, para eles, que nada impede cristãos de adotarem técnicas da TFE.41 Ao contrário, este autor argumentará que é impossível adotar métodos da TFE sem importar suas pressuposições filosóficas implícitas, pois os métodos da TFE são inerentemente carregados de valores e direcionados a objetivos terapêuticos específicos. A seguir, algumas das pressuposições centrais da TFE serão contrastadas com o ensino bíblico para demonstrar essa disparidade.

Paradigma e Questões-Chave

Susan Johnson afirma que ?o paradigma mais apropriado para a intimidade adulta é o de um vínculo emocional. A questão central no conflito conjugal é a segurança desse vínculo.?42 Dois temas relacionados, mas distintos, são levantados nessa afirmação: um paradigma para compreender os relacionamentos e a questão central no conflito conjugal. O primeiro tema descreve um paradigma para a intimidade adulta, que pode ser considerado de forma mais ampla, mas aplica-se especificamente a um relacionamento romântico entre duas pessoas, em que há compromisso. Johnson está propondo um paradigma para compreender a natureza e o significado do relacionamento conjugal; trata-se, essencialmente, do que ela chama de vínculo emocional.

Para compreender o paradigma, é necessário definir o construto de vínculo emocional e considerar porque ele governa a compreensão de Johnson sobre o relacionamento conjugal. O construto de vínculo emocional aplica os princípios da teoria do apego, desenvolvida por John Bowlby, aos relacionamentos adultos.43 Johnson acredita que ?uma das necessidades humanas mais fundamentais é ter uma conexão emocional segura ? um apego ? com aqueles que estão mais próximos de nós.?44 Ela sustenta que a dinâmica interpessoal do casamento consiste na necessidade emocional inata de uma pessoa de sentir-se segura, protegida, compreendida e amada por outra.45 De acordo com a teoria do apego, os seres humanos são biologicamente programados, por meio de processos evolutivos, a buscar um apego seguro com um parceiro para segurança, sobrevivência e reprodução.46 Johnson adota ?a visão dos seres humanos como mamíferos sociais que formam vínculos e que necessitam de relacionamentos próximos com outros confiáveis para sobreviver e prosperar.?47

Essas pressuposições acerca da natureza do casamento e dos problemas conjugais devem ser comparadas com uma explicação bíblica correspondente. A antropologia bíblica fornece a definição e a essência do relacionamento conjugal. Nos capítulos iniciais de Gênesis, Deus cria Adão e sua auxiliadora Eva. A criação de Adão e Eva demonstra a intenção divina para o casamento. Em Gênesis 2:18-25, a criação de Eva oferece uma perspectiva sobre a origem divina e a instituição do casamento. Eva é criada como uma auxiliadora complementar para Adão.48 Um autor descreve o casamento como uma ?aliança de companheirismo? estabelecida por Deus ?para resolver o problema da solidão humana.?49 O companheirismo surge do amor que se doa no contexto de uma união pactual. Os versículos 23-24 evocam linguagem pactual à medida que Adão e Eva se tornam ?uma só carne?.50 A união de ?uma só carne? é a essência do casamento, à medida que um homem e uma mulher entram em uma aliança juntos em amor sacrificial mútuo. Como portadores da imagem de Deus, a aliança do casamento destina-se a refletir o relacionamento de Deus com o Seu próprio povo. Em Efésios 5:22-33, o apóstolo Paulo desenvolve essa ideia ao mostrar como a união de ?uma só carne? expressa o relacionamento de Cristo com a igreja.51 A essência do casamento nas Escrituras é o companheirismo fiel à aliança, que reflete o amor sacrificial e a presença tangível de Deus, o Criador e Redentor.52

Diversos autores cristãos têm tentado ?redimir? essa pressuposição central da TFE ao argumentar que o vínculo emocional é análogo à união de ?uma só carne?. Winston Smith sugere que o vínculo emocional é uma ?incorporação do princípio de ?uma só carne? da Bíblia.? McFee e Monroe argumentam que ?a linguagem dos vínculos de apego pode ser vista como equivalente à linguagem teológica dos vínculos de aliança.?53 É razoável perceber algumas semelhanças entre um vínculo de apego conjugal e a união de ?uma só carne?. Por exemplo, ambos são caracterizados por proximidade, companheirismo, intimidade, prazer sexual e estabilidade. No entanto, essas características semelhantes são incidentais e não indicam identidade. Confundir o vínculo emocional com o companheirismo pactual é minimizar diferenças importantes e legítimas. Apesar das aparentes sobreposições, um vínculo emocional dentro da teoria do apego definitivamente não é o mesmo que o companheirismo fiel à aliança dentro de um arcabouço bíblico.

Na TFE, o casamento é fundamentalmente uma tentativa de satisfazer uma necessidade de vínculo emocional originada pela evolução naturalista. Nas Escrituras, o casamento é fundamentalmente a união de dois portadores da imagem de Deus, um homem e uma mulher, que buscam manifestar a glória de Deus por meio de um companheirismo pactual e sacrificial. Em termos antropológicos, as Escrituras não descrevem os seres humanos como definidos por necessidades de apego relacional que impulsionam homens e mulheres a relacionamentos românticos com outros. Biblicamente, os seres humanos são criados à imagem de Deus, e os relacionamentos interpessoais fazem parte da maneira pela qual a humanidade reflete a imagem do Deus Triúno.54

Uma vez que o construto de vínculo emocional explica a natureza e o significado do casamento no modelo de Johnson, faz sentido que ela aponte para o vínculo emocional quando os casamentos entram em crise. Ela afirma que ?a questão central no conflito conjugal é a segurança desse vínculo.?55 Johnson apresenta a teoria do apego como a forma pela qual a ciência agora explicou clinicamente os relacionamentos românticos. Ela afirma que ?o apego é uma teoria clínica que elimina o mistério do amor adulto e nos mostra a estrutura subjacente ao drama do sofrimento, de modo que possamos redirecionar esse drama de maneira eficaz.?56 Ela prossegue dizendo que ?a teoria do apego oferece respostas a algumas das questões mais fundamentais sobre os relacionamentos humanos.?57 Segundo Johnson, isso se torna a chave mestra para compreender o casamento e os problemas conjugais. Johnson afirma que ?o problema nunca está relacionado a questões de conteúdo, sejam elas sexo, dinheiro, criação dos filhos ou sogros?, mas que ?a questão está sempre em como o casal conversa entre si e lida com necessidades e medos fundamentais de apego.?58 Na TFE, os problemas conjugais surgem de conexões emocionais danificadas ou inseguras e de ciclos negativos de interação.

Retornando aos capítulos iniciais de Gênesis, a Bíblia oferece uma explicação para a discórdia conjugal. Trata-se, a saber, da Queda histórica, na qual Adão e Eva pecaram contra o Senhor, sendo esta a fonte primária dos problemas no casamento. Os problemas conjugais são resultado do pecado humano.59 Um relacionamento rompido com Deus é a origem de relacionamentos rompidos entre as pessoas. Nesse sentido, a TFE compreende de forma equivocada a natureza humana e a natureza do conflito humano. A importância dessa pressuposição não pode ser exagerada, pois a solução bíblica de dois pecadores sendo transformados pelo evangelho de Cristo por meio da fé e do arrependimento só faz sentido se o problema for corretamente diagnosticado como pecado e seus efeitos.

Um Foco na Emoção

Susan Johnson argumenta que ?a emoção é fundamental na organização dos comportamentos de apego e na forma como o eu e o outro são experimentados em um relacionamento íntimo.?60 Além disso, ela sugere que ?os problemas nos relacionamentos são mantidos pela maneira como as interações são organizadas e pela experiência emocional dominante de cada parceiro na relação.?61 O foco na emoção é uma característica distintiva da abordagem TFE. A alegação é que a emoção é o fator-chave nos relacionamentos. Johnson esclarece que, por emoção, ela se refere ao ?pequeno número de emoções básicas universais? (itálico no original).62 Na TFE, essas emoções são especificamente ?raiva, medo, surpresa, alegria, vergonha/nojo, dor/angústia e tristeza/desespero.?63 Johnson resume sua visão das emoções como ?basicamente adaptativas, fornecendo um sistema de resposta capaz de reorganizar rapidamente o comportamento de uma pessoa em prol da segurança, da sobrevivência ou da satisfação de necessidades.?64

O papel da emoção na TFE é o processamento de informações, que Johnson descreve ?como uma integração de respostas fisiológicas, esquemas de significado e tendências de ação, bem como a consciência autorreflexiva dessa experiência.?65 As emoções são compreendidas como respostas intuitivas baseadas em estruturas esquemáticas desenvolvidas por meio da experiência pessoal. Johnson explica que ?estruturas emocionais ou modelos são construídos em relação a situações que frustram ou satisfazem necessidades e objetivos.?66 A emoção é, em grande medida, pré-cognitiva e reflexiva. Johnson afirma que o fluxo da emoção segue os contornos de avaliação, excitação, reavaliação e ação.67 As experiências emocionais, quando refletidas, podem proporcionar a oportunidade de ?um retorno significativo sobre como nosso ambiente está nos afetando? e servem para ?nos mobilizar a lidar rapidamente com encontros pessoais importantes.?68

As emoções constituem o foco intrapsíquico e interpessoal da TFE. Johnson apresenta três razões pelas quais as emoções são o foco na TFE. Primeiro, embora ela veja as emoções como geralmente adaptativas, elas podem ?surgir fora de contexto e restringir a forma como as situações presentes são processadas.?69 Segundo, as emoções devem ser reguladas para que não se seja dominado pela sua experiência. Terceiro, ?limitações na consciência ou expressão emocional? podem resultar em ?espirais de emoções e interações negativas.?70

Na teoria da TFE, as experiências pessoais e interpessoais da emoção são consideradas centrais. Recorde-se de que o conflito conjugal na TFE ocorre quando o vínculo emocional é rompido; assim, a experiência emocional de emoções como medo, raiva, dor ou tristeza entre os cônjuges fornece as informações necessárias para esclarecer os padrões de ciclos negativos e restabelecer o vínculo. Acessar, encenar e afirmar a experiência emocional tornam-se aspectos vitais do processo terapêutico. Na TFE, o objetivo é transformar a experiência emocional e alterar a maneira como o casal experimenta emocionalmente um ao outro.

A Bíblia tem muito a dizer sobre as emoções, e alguns aspectos parecem corresponder a elementos da TFE, como a bondade e a importância da emoção em fornecer informação e motivação.71 Ainda assim, a TFE apresenta a emoção como produto de adaptação evolutiva e a avalia apenas em termos de utilidade. Dois aspectos específicos são biblicamente problemáticos na forma como a emoção é concebida na TFE. Primeiro, a noção de que a experiência emocional é vista como adaptativa e deve ser afirmada sem a introdução de julgamento a partir de referenciais externos. As emoções funcionam segundo a adaptabilidade evolutiva; elas são ativadas dentro do indivíduo para buscar e preservar interesses próprios. As emoções não são avaliadas em termos morais ou éticos, mas apenas em termos utilitaristas e centrados na pessoa. Por exemplo, a ira não é classificada como certa ou errada, mas é aceita, afirmada e explorada. A Bíblia, entretanto, ensina que as emoções são justas ou injustas em sua motivação e expressão.72 Ao contrário, uma visão inteiramente positiva da natureza humana é pressuposta pela TFE, e as emoções são consideradas essencialmente boas e guias confiáveis para a satisfação das necessidades pessoais de apego. A bondade inata do ser humano é um princípio central da TFE e uma divergência significativa da antropologia bíblica.

Segundo, as emoções são apresentadas como necessidades de apego que devem ser satisfeitas para que a pessoa e o relacionamento prosperem. Se um homem puder assegurar um vínculo emocional e satisfazer suas necessidades de apego, ele poderá sobreviver e florescer. Em contrapartida, as supostas necessidades emocionais e de apego descritas por Johnson são mais precisamente desejos profundos e anseios do coração.73 O desejo por segurança, proteção, controle, afirmação e assim por diante não são necessidades humanas como água, alimento ou abrigo. Embora esses desejos possam ser expressos e satisfeitos de maneiras piedosas, também podem tornar-se ímpios e pecaminosos. A Bíblia descreve o papel dos desejos desordenados e como desejos não pecaminosos, podem evoluir até o nível de exigências pecaminosas.74 A TFE apresenta a necessidade de ter uma conexão emocional, vínculo e aceitação com outra pessoa como algo essencial à humanidade de um modo que a Bíblia não apresenta. Por exemplo, a suposta necessidade de afirmação e aceitação por parte do cônjuge pode ser um desejo extremamente intenso, acompanhado de medo, decepção e ira quando negado, mas não pode ser descrito biblicamente como uma necessidade de apego que deve ser satisfeita para que o cônjuge esteja emocionalmente pleno e capaz de amar o outro. Em uma estrutura bíblica, lidar com os desejos desordenados do coração que estão sendo expressos de forma pecaminosa é a questão central para compreender e resolver conflitos interpessoais.75 Expectativas não atendidas e desejos frustrados, e não necessidades de apego não satisfeitas, estão no cerne do conflito.

Johnson afirma que as emoções são a chave para resolver problemas conjugais. Embora as emoções sejam importantes, a Bíblia vai além da experiência emocional para resolver os problemas humanos. Na antropologia bíblica, as emoções são expressões ativas do que está no coração ou na alma ? a parte imaterial e interior da pessoa.76 Por essa razão, a questão mais profunda e central nos problemas conjugais não é regular a experiência emocional, mas renovar o coração. As emoções são uma porta de entrada para o funcionamento interno do coração.77 O foco experiencial, orientado ao processo, centrado no afeto, que visa promover consciência emocional, regulação emocional e conexões emocionais, é insuficiente para transformar as estruturas mais profundas do coração, onde os pensamentos, crenças, desejos e compromissos subjacentes permanecem inalterados.

O mamífero altamente evoluído da TFE que expressa emoções para satisfazer necessidades de apego está longe de uma visão bíblica do homem. O cristão, ao contrário, entende o homem como um adorador, portador da imagem de Deus, que vive a partir do transbordamento do que está em seu coração. Embora Johnson enfatize corretamente a importância da emoção, ela define a emoção, interpreta suas funções e prioriza a experiência emocional de maneiras que não estão em conformidade com a antropologia bíblica. O pressuposto bíblico é que a emoção é utilizada para discernir o que está acontecendo no coração em resposta à experiência relacional da pessoa.

O Processo de Mudança

Ao abordar a tarefa da mudança terapêutica, é importante considerar que a TFE é uma síntese de abordagens experiencial e sistêmica à terapia.?78 Pressupostos humanistas, centrados na pessoa e experienciais são essenciais ao seu modelo de mudança terapêutica.79 Da mesma forma, aspectos da teoria dos sistemas são igualmente essenciais aos métodos da TFE.80 A combinação intrapsíquica e interpessoal reflete a convergência de ideias da teoria dos sistemas e do experiencialismo humanista para criar uma forma distinta de terapia. O processo de mudança visa à regulação emocional intrapsíquica e a responsividade emocional interpessoal.81 Ele é rigorosamente focado no presente, não em experiências emocionais passadas ou hipotéticas. O terapeuta não está interessado no conteúdo, mas na experiência emocional e nos comportamentos de apego.82 Brent Bradley explica que ?o foco não está apenas nos modelos cognitivos acionados por sinais afetivos, mas também em delinear os mapas procedurais automáticos para a regulação do afeto ? isto é, como alguém lida com, integra, afasta ou age a partir do próprio afeto em momentos de sofrimento relacional.?83 O terapeuta facilita uma experiência emocional com o objetivo de aumentar a consciência emocional. Johnson afirma que ?desenvolver emoções-chave e utilizá-las para gerar novas respostas ao parceiro em encenações terapêuticas é o cerne da mudança na TFE.?84

O processo terapêutico da TFE pode ser descrito em três estágios e nove etapas distintas. Cada uma das etapas atua dentro dos estágios para organizar a experiência emocional de cada parceiro e reconectar o casal, facilitando a criação de um vínculo emocional mais seguro. Johnson descreve três estágios principais no processo da TFE: desescalada, reestruturação do vínculo e consolidação.85 Em outras palavras, o terapeuta de TFE busca ajudar o cliente a tornar-se consciente de sua própria experiência emocional e de suas necessidades, e de como se tornar emocionalmente acessível, responsivo e engajado com seu cônjuge.86 O resultado ideal que representa o sucesso terapêutico é que cada cônjuge se torne ?uma fonte de segurança, proteção e conforto de contato para o outro? e ajude a ?auxiliar o outro na regulação do afeto negativo e construir um senso de identidade positivo e vigoroso.?87 Uma característica importante é que ?a intervenção é guiada por marcadores.?88 Na TFE, a mudança consiste em facilitar a criação de novas experiências emocionais tanto no indivíduo quanto no casamento.89 Johnson observa que ?o objetivo é descobrir e esclarecer a realidade emocional ? o motor de medos e anseios por trás da narrativa que cada cliente apresenta acerca de seus problemas e dilemas.?90

Ao final da TFE, espera-se que o casal apresente os seguintes sinais de progresso terapêutico.91 O casal demonstrará regulação afetiva individual/interpessoal. O casal será mais emocionalmente acessível, responsivo e engajado um com o outro. Cada cônjuge terá uma nova perspectiva de si mesmo, do outro e do relacionamento. Os ciclos de interação negativa terão sido substituídos por um apego emocional mais seguro e positivo.

Em contraste, a Bíblia fornece um modelo de como ocorrem a mudança e o crescimento. O processo bíblico de mudança não concorda com a premissa central de Johnson de que ?a mudança na TFE está associada ao acesso e ao reprocessamento da experiência emocional subjacente à posição de cada parceiro no relacionamento.?92 A TFE possui um processo terapêutico que, de maneira télica, facilita mudanças na maneira como os casais expressam emoções entre si, e a mudança na postura e na prática emocional visa restabelecer um vínculo emocional no qual cada parceiro sinta que suas necessidades estão sendo atendidas. Na TFE, o problema é fundamentalmente emocional e baseado no apego. Biblicamente, o problema nos relacionamentos rompidos é fundamentalmente o pecado e seus efeitos. Dessa forma, os problemas relacionais têm raiz espiritual.93 Antropologicamente, a TFE não está em conformidade bíblica com a natureza dos problemas humanos nem com a solução de Deus para tais problemas.

O modelo de mudança apresentado nas Escrituras é a santificação.94 A mudança bíblica é o processo de conformar o participante ativo à imagem de Cristo, para que ele ame a Deus e aos outros corretamente, para a glória de Deus.95 Restaurar relacionamentos humanos de maneira que agrade a Deus requer santificação capacitada pelo Espírito e a aplicação dos recursos da Palavra de Deus aos problemas específicos que os casais enfrentam. Por exemplo, Robert D. Jones oferece um modelo bíblico que apresenta cinco princípios fundamentais para a mudança bíblica centrada em Cristo.96 Esses princípios, em contraste com a TFE, são orientados à redenção, abordam o pecado e o sofrimento e visam mudanças no nível do coração e do comportamento por meio do poder da Palavra e do Espírito de Deus. Essas premissas fundamentais conduzem a três movimentos-chave no processo de mudança bíblica: crer, arrepender-se e obedecer.97 Restaurar relacionamentos humanos requer fé, arrependimento e obediência a Deus. O ponto é que a Bíblia possui um processo de mudança que não se harmoniza com a TFE. O aconselhamento baseado em pressupostos biblicamente fiéis produzirá uma metodologia coerente com as Escrituras, com o propósito de ajudar casais a terem um relacionamento que agrade a Deus.

Conclusão

A tese apresentada neste artigo é que a TFE deve ser rejeitada por conselheiros cristãos com base no fato de que as premissas principais da teoria, conforme articuladas por Susan Johnson, são incompatíveis com a antropologia bíblica. A tese foi demonstrada das seguintes maneiras. Primeiro, argumentou-se que a metodologia está inevitavelmente conectada a pressupostos subjacentes carregados de valores e orientados teleologicamente. Segundo, as principais premissas de Susan Johnson foram contrastadas com a antropologia bíblica. A disparidade entre a TFE e a antropologia bíblica foi demonstrada nas questões da natureza humana, do propósito do casamento, da função das emoções humanas e do processo de mudança.98


  1. Marshall Adkins é pastor de Discipulado de Adultos na Parkway Baptist Church em Bardstown, KY, conselheiro bíblico certificado pela ACBC e doutorando no Midwestern Baptist Theological Seminary. Ele pode ser contatado pelo e-mail: marshall.adkins@parkwaybaptist.com.
  2. Nota do Editor: Em inglês, Emotionally Focused Therapy (EFT).
  3. Jones e Butman observam que ?a TFE é uma das terapias de casal contemporâneas mais eficazes, conforme evidenciado por pesquisas com resultados promissores.? (JONES, Stanton L.; BUTMAN, Richard E., Modern psychotherapies: A comprehensive christianappraisal, Downers Grove: IVP Academic, 2ª Ed., 2011, p.294). Wiebe e Johnson afirmam que a TFE possui ?forte suporte empírico, com uma base substancial de estudos de eficácia e efetividade.? (WIEBE, Stephanie A.;JOHNSON, Susan M. ?A Review of the Research in Emotionally Focused Therapy for Couples?,Family Process55, n.º 3,setembro de 2016, p.391). Como modalidade de terapia de casal, um estudo descreve ?taxa de recuperação de 70?73% para sofrimento relacional.? (DALGLEISH, Tracy L., et al., ?Predicting Change in Marital Satisfaction throughout Emotionally Focused Couple Therapy?,The Journal of Marital and Family Therapy 41, n.º 3, julho de 2015,p.276).
  4. Para maisinformaçõessobre o espectro do aconselhamentocristão, consulte Stephen P. Greggo e Timothy A. Sisemore, no livroCounseling and Christianity: Five Approaches (Downers Grove: IVP Academic, 2012). Consultetambém o livroeditadoporEric L. Johnson e David G. Myers, Psychology & Christianity: Five Views(Downers Grove: IVP Academic, 2010, 2ª Ed.).
  5. Paraumaperspectivaintegracionista,veja: CHENEY, Gregory J., ?Emotional Connection of Military Couples after 16 Years of War: Integrating Pastoral Counseling and Evidence-Based Theory?,The Journal of Pastoral Care & Counseling 71, n.º 3, 2017. Para umaperspectiva de psicologiacristã, veja:HARDIN, Todd, ?Redeeming Emotion-Focused Therapy: A Christian Analysis of Its Worldview, Epistemology, and Emphasis?,Religions 5, n.º 1,1 de março de 2014. Consultetambém:McFEE, Michael R.; MONROE, Philip G., ?A Christian Psychology Translation of Emotion-Focused Therapy: Clinical Implications?,Journal of Psychology and Christianity 30, n.º 4, 2011.
  6. Jay Adams argumentou que ?todos os sistemas de aconselhamento repousam sobre pressuposições? e que essas pressuposições ?governam e condicionam toda a pesquisa (ela não é objetiva), práticas e desenvolvimento de métodos e técnicas dentro desses sistemas? (ADAMS, Jay E. Update on Christiancounseling. Grand Rapids: Zondervan, 1981, p.35). As pressuposições que formam a teoria constituem o terreno de onde emergem técnica e metodologia. De modo semelhante, Susan Johnson indica que ?um terapeuta precisa de uma teoria do funcionamento saudável, incluindo uma formulação de como os problemas ocorrem e perturbam tal funcionamento, e uma teoria da mudança terapêutica.? (JOHNSON, Susan M. The practice of emotionally focused couple therapy: creating connection. Nova York: Brunner-Routledge, 2020, 3ª Ed., p.26).
  7. Johnson apresenta uma visão geral dos principais pressupostos filosóficos que moldam a teoria da TFE em: JOHNSON, Susan M. The practiceofemotionallyfocusedcoupletherapy, p.48?50.
  8. Johnson articula a necessidade de definir crenças sobre a natureza humana, a natureza do problema, o objetivo do tratamento e o processo de mudança para a construção de uma teoria terapêutica (JOHNSON, Susan M. The practiceofemotionallyfocusedcoupletherapy, p.26).
  9. JOHNSON, Susan M.The practice of emotionally focused couple therapy, p.49.
  10. Ibid.
  11. Ibid.
  12. Ibid.
  13. Ibid.
  14. Ver:GREENBERG, Leslie S.; JOHNSON, Susan M. Emotionally focused therapy for couples. New York: Guilford Press, 1988.
  15. Nota do Editor: Destaque dado pelo autor.
  16. Jones e Butman reconhecem que ?as psicoterapias humanistas-experienciais contemporâneas se baseiam fortemente na teoria da personalidade da terapia centrada no cliente de Carl Rogers.? (Jones;Butman.Modernpsychotherapies: acomprehensive Christian appraisal, p.303).
  17. Carl Rogers escreveu: ?Descobri que o homem possui características que parecem inerentes à sua espécie, e os termos que em diferentes momentos me pareceram descrever tais características incluem positivo, progressivo, construtivo, realista, digno de confiança.? (ROGERS, Carl R. ?A Note on ?The Nature of Man,?? inKIRSCHENBAUM, Howard; HENDERSON, Valerie L. The Carl Rogers reader. New York: Houghton Mifflin Harcourt, 1989, p. 403). Greenberg indica que ?assim como Rogers, a teoria da TFE postula uma tendência ao crescimento e ao desenvolvimento? (GRENNBERG, Leslie S. ?Emotion-Focused Therapy?, Theories of psychotherapy series. Washington: American Psychological Association, 2011, p.14). Susan Johnson concorda que a TFE possui uma ?visão positiva da natureza humana e uma crença na capacidade das pessoas de mudar e crescer.? (JOHNSON, Susan M. The practice of emotionally focused couple therapy, p.57).
  18. Greenberg, Emotion-Focused Therapy, p.4.
  19. JOHNSON, Susan M. The practice of emotionally focused couple therapy, p.28. Ver JOHNSON, Susan M., The practice of emotionally focused marital therapy: creating connection. Philadelphia: Brunner/ Mazel, 1996.
  20. Bowlby afirmou que a teoria do apego ?facilita uma nova e esclarecedora forma de conceituar a propensão dos seres humanos a estabelecer fortes vínculos afetivos com outros específicos e de explicar as muitas formas de sofrimento emocional.? (BOWLBY, John.Loss:sadnessand depression. New York: Basic Books, 1980, vol. 3, p.39).
  21. JOHNSON, Susan M. The practice of emotionally focused couple therapy, p.15.
  22. Tim Clinton e Gary Sibcy adotam os pressupostos da TFE e citam o trabalho de Johnson. Clinton e Sibcy escrevem: ?O apego é um sistema abrangente que explica os princípios, as regras e as emoções dos relacionamentos ? como funcionam e como não funcionam, como nos sentimos quando estamos com aqueles que mais amamos.? (CLINTON, Timothy E.;SIBCY, Gary.Attachments: Why You Love, Feel, and Act the Way You Do- Unlock the Secret to Loving and Lasting Relationships. Brentwood: Integrity Publishers, 2002, p.12). De fato, Susan Johnson participou como palestrante principal na conferência mundial de 2017 da American Associationof Christian Counselors. (JOHNSON, Susan. ?Created for Connection? (vídeo da palestranaAACC World Conference 2017, The American Association of Christian Counselors, setembro de 2017), https://www.youtube.com/watch?v=EVhcbUqxKYI.
  23. Ver: JOHNSON, Susan M. Hold me tight: seven conversations for a lifetime of love. New York: Little, Brown & Co, 2008; JOHNSON, Susan M. Love sense: the revolutionary new science of romantic relationships. New York: Little, Brown & Co, 2013. Para a chamadaversãocristã, ver:JOHNSON, Susan M.; SANDERFER, Kenneth.Created for connection: the ?hold me tight? guide for Christian couples: seven conversations for a lifetime of love. New York: Little, Brown & Co, 2016.
  24. Ver: KIM-VAN DAALEN, Lydia C. W.; JOHNSON, Eric L. ?Transformation through Christian emotion-focused therapy,? In APPLEBY, David W.; OHLSCHLAGER, George (org). Transformative encounters: the intervention of God in Christian counseling and pastoral care. Downers Grove: InterVarsity Press, 2013, p.168-18; KIM-VAN DAALEN, Lydia C. W, ?Emotions in Christian psychological care? (tese de doutorado, The Southern Baptist Theological Seminary, 2013).
  25. ADAMS, Jay E. What about nouthetic counseling? A question-and-answerbook with history, help and hope for the Christian counselor. Grand Rapids: Baker Book House, 1977, p.73.
  26. Ibid., 75.
  27. Ibid., 73.
  28. Ibid., 74.
  29. Ibid.
  30. Em oposição a Eric Johnson, essa afirmação não constitui um exemplo da chamada ?falácia genética?. Eric Johnson argumenta que o ?aconselhamento bíblico tradicional, em particular, frequentemente parece assumir o que os lógicos denominaram ?falácia genética? como argumento contra a validade do conhecimento psicológico de não cristãos, isto é, como a psicologia moderna se origina de não cristãos, então ela deve ser inteiramente inválida.? (JOHNSON, Eric L. Foundations for soul care: a Christian psychology proposal. Downers Grove: IVP Academic, 2007, p.111). A rejeição da TFE não se baseia em sua origem não cristã, mas fundamenta-se, em parte, na clara contradição entre as afirmações centrais da TFE e as afirmações centrais das Escrituras quanto à tarefa de restaurar relacionamentos.
  31. BOOKMAN, Doug. ?The Word of God and counseling,? inSufficiency: historic essays on the sufficiency of Scripture. Association of Certified Biblical Counselors, 2016, p.41-93.
  32. Ibid., p.45-46.
  33. Hardin, por exemplo, reconhece os problemas do neo-humanismo, mas tenta adaptar uma forma de humanismo cristão ao tomar elementos do humanismo e reformulá-los com linguagem cristã. No final, a tentativa de mesclar humanismo com cristianismo resulta em distorcer a integridade de ambos. HARDIN, Todd. ?Redeeming emotion-focused therapy: A Christian Analysis of Its Worldview, Epistemology, and Emphasis?,p.328.
  34. Está além do escopo deste trabalho tratar da questão ética, mas poderia ser argumentado que a TFE não deve ser integrada com base na suficiência das Escrituras no aconselhamento matrimonial. Se essa afirmação for demonstrável, a TFE não é nem ontológica nem eticamente razoável para integração em uma abordagem cristã de aconselhamento matrimonial.
  35. BOOKMAN, Doug. ?The Word of God and counseling,? p.46.
  36. McFee e Monroe argumentam em favor do uso da TFE adotando a metáfora de Eric Johnson de ver teologia e psicologia como duas linguagens ou dialetos que precisam dialogar entre si. Ver:McFEE, Michael R.; MONROE, Philip G. ?A Christian Psychology Translation of Emotion-Focused Therapy: Clinical Implications,? p.319-320. Ver também:JOHNSON, Eric.Foundations for Soul Care, 226-239.
  37. Eric Johnson argumenta que ?é essencial que a comunidade cristã de cuidado da alma se familiarize novamente com essa modalidade [TFE] ? evitando, contudo, uma ênfase excessiva na subjetividade (desvinculada da Palavra de Deus) ? a fim de promover maior cura do coração humano e de seus afetos? (itálico no original). Ibid., p.596.
  38. Eric Johnson argumenta que cristãos devem desenvolver modelos que tenham como ?ponto de partida? pressupostos, crenças e práticas distintamente cristãos. Ele continua afirmando que modelos cristãos ?podem se beneficiar do conhecimento e das percepções legítimas da psicologia moderna?(JOHNSON, Eric L. ?Forward: counseling and psychotherapy on a new foundation,? ined. APPLEBY, David W.; OHLSCHLAGER, George.Transformative encounters: the intervention of God in Christian counseling and pastoral care. Downers Grove: InterVarsity Press, 2013, p.20). Na prática, contudo, psicólogos cristãos começam com a TFE e caminham em direção à adaptação cristã, e não o contrário, como Johnson sugere.
  39. McFEE, Michael R.;MONROE, Philip G. ?A Christian psychology translation of emotion-focused therapy: clinical implications,? p.326.
  40. Ibid., p.321.
  41. Em oposição a McFee e Monroe, as questões levantadas pela teoria do aconselhamento estão intrinsecamente ligadas a questões de cosmovisão. Eles afirmam equivocadamente que ?questões de cosmovisão não influenciam de maneira crítica as necessidades do cliente.? Ibid., p.323.
  42. JOHNSON, Susan. The practice of emotionally focused therapy, p.26.
  43. Ver: BOWLBY, John.A secure base: parent-child attachment and healthy human development. New York: Basic Books, 1988.
  44. JOHNSON, Susan M. ?Introduction to attachment: atherapist?s guide to primary relationships and their renewal,? inJOHNSON, Susan M; WHIFFEN, Valerie E. (org.) Attachment processes in couple and family therapy. New York: Guilford, 2006, p.4.
  45. Johnson apresenta os seguintes 10 princípios centrais da teoria do apego: (1) o apego é uma força motivadora inata; (2) a dependência construtiva segura complementa a autonomia; (3) o apego oferece um refúgio seguro essencial; (4) o apego fornece uma base segura; (5) a acessibilidade e a responsividade emocional constroem vínculos; (6) o medo e a incerteza ativam necessidades de apego; (7) o processo de angústia pela separação é previsível; (8) um número finito de formas inseguras de engajamento pode ser identificado; (9) o apego envolve modelos operacionais de si mesmo e do outro; (10) o isolamento e a perda são inerentemente traumatizantes. (JOHNSON, Susan M.The practice of emotionally focused therapy, p.27-33).
  46. HAZAN, Cindy. ?The Essential Nature of Couple Relationships,? inJOHNSON, Susan M; WHIFFEN, Valerie E. (org.) Attachment processes in couple and family therapy. New York: Guilford, 2006, p.45-51.
  47. Ibid., p.13.
  48. Gordon Wenham observa que ?a ajuda procurada não é apenas assistência em seu trabalho diário ou na procriação de filhos, embora esses aspectos possam estar incluídos, mas o apoio mútuo que o companheirismo proporciona? (WENHAM, Gordon J. ?Genesis 1?15 ? Vol.1?Word Biblical Commentary Dallas: Word Books, 1987, p.68).
  49. Jay Adams concluiu: ?O companheirismo, portanto, é a essência do casamento? (itálico no original). ADAMS, Jay E. Marriage, Divorce, and Remarriage in the Bible. Grand Rapids: Zondervan, 1980, p.8.
  50. Gordon Wenham afirma que ?o uso dos termos ?abandonar? e ?unir-se? no contexto da aliança de Israel com o Senhor sugere que o Antigo Testamento via o casamento como uma espécie de aliança.? (WENHAM, Gordon J. ?Genesis 1?15, p.71). Da mesma forma, Victor Hamilton explica que ?a declaração do homem ? esta, afinal, é osso dos meus ossos e carne da minha carne ? torna-se uma afirmação pactual de seu compromisso com ela? (itálico no original). HAMILTON, Victor P. ?The Book of Genesis: Chapters 1-17? inThe New International Commentary on the Old Testament. Grand Rapids: W.B. Eerdmans, 1990, p.180.
  51. F. F. Bruce destaca que ?a formação de Eva para ser companheira de Adão prefigura a criação da igreja como noiva de Cristo.? O relacionamento humano do casamento é profundamente teológico em sua essência e propósito (BRUCE, F. F. ?The Epistles to the Colossians, to Philemon, and to the Ephesians? inThe New International Commentary on the New Testament. Grand Rapids: Eerdmans, 2008, p.395.
  52. Este breve tratamento concentrou-se no companheirismo que surge da união pactual de ?uma só carne?. Os capítulos iniciais de Gênesis apresentam muito mais a respeito do casamento, como a expressão sexual, a administração de recursos e a procriação. ConsidereGênesis 1:28.
  53. McFEE, Michael R.; MONROE, Philip G. ?A Christian psychology translation of emotion-focused therapy: clinical implications?,Journal of Psychology and Christianity 30, nº. 4, 2011, p.323.
  54. As Escrituras ensinam que os seres humanos foram criados à imagem de Deus (Gênesis 1:26-28). Embora existam debates quanto à melhor forma de definir essa condição, refletir e espelhar o Criador é inerente ao conceito. O Deus da Bíblia é triúno; três pessoas subsistindo em um só Deus.
  55. JOHNSON, Susan M.The practice of emotionally focused couple therapy, p.48.
  56. JOHNSON, Susan M. The practice of emotionally focused couple therapy, p.36.
  57. Ibid., p.38.
  58. Ibid., p.215.
  59. Em Gênesis 3, a Bíblia apresenta a narrativa histórica do pecado humano original. Esse pecado provocou uma ruptura no relacionamento do homem com Deus e imediatamente introduziu problemas conjugais. Adão abdicou de suas responsabilidades de liderar, proteger e prover amorosamente para sua esposa, e Eva se rebelou contra Deus e contra a autoridade, ordenada por Deus, de Adão.
  60. JOHNSON, Susan M. The practice of emotionally focused couple therapy, p.49.
  61. Ibid.
  62. JOHNSON, Susan M. The practice of emotionally focused couple therapy, p.59.
  63. Ibid.
  64. Ibid., 61.
  65. Ibid.
  66. Johnson acrescenta que ?essas estruturas então orientam as pessoas na diferenciação e classificação da experiência, bem como na organização de expectativas e reações. Essas estruturas nos ajudam a prever, interpretar, responder e controlar nossa experiência. As emoções não são armazenadas, mas reconstruídas por meio da avaliação de uma situação que ativa uma estrutura, um conjunto organizado de respostas.? Ibid., 42.
  67. Ibid., 60.
  68. Ibid., 61.
  69. Ibid., 62.
  70. Ibid., 63.
  71. Por exemplo, em Gênesis 4:6, Deus pergunta a Caim: ?Por que você está irado, e por que descaiu o seu semblante?? As emoções de ira e desespero eram respostas externas que correspondiam a motivações internas. Deus investiga a experiência emotiva de Caim a fim de revelar a questão mais profunda das motivações do coração.
  72. Por exemplo, o apóstolo Paulo escreve em Efésios 4:26: ?irai-vos e não pequeis.? A implicação é que a ira pode ser expressa de maneira pecaminosa ou justa.
  73. Jeremy Pierre afirma que as emoções são o ?indicador do desejo? (PIERRE, Jeremy.The dynamic heart in daily life: connecting Christ to human experience. Greensboro: New Growth Press, 2016, p.40). De modo semelhante, Groves e Smith sugerem que as emoções expressam ?aquilo que valorizamos ou amamos? (GROVES, Alasdair J.; SMITH, Winston T. Untangling emotions. Wheaton: Crossway, 2019, p.32).
  74. Comentando sobre Tiago 1:14, Ralph Martin observa que ?no cerne da solicitação ao mal (que podemos associar a uma postura de negação de Deus quando a pessoa se encontra em meio a circunstâncias difíceis) está o desejo (?????????) pessoal (?????) que se inclina ao interesse próprio e à autossatisfação.? O desejo de satisfazer os próprios anseios emocionais pode ser ocasião para o pecado (MARTIN, Ralph P. ?James? inWord Biblical Commentary. Waco: Word Books, 1988, p.36).
  75. Douglas Moo, comentando sobre Tiago 4:1-2, escreve: ?A fonte dessas contendas, observa agora Tiago, são os vossos desejos que guerreiam dentro de vós. ?Desejos? traduz a palavra grega h?don?, que significa simplesmente ?prazer?, mas frequentemente com a conotação de um prazer pecaminoso e indulgente (daí vem a nossa palavra ?hedonismo?).? Ele continua: ?O desejo frustrado, deixa claro Tiago, é o que gera a intensa contenda que está convulsionando a comunidade? (MOO, Douglas J. ?The Letter of James? inThe Pillar New Testament Commentary. Grand Rapids: Eerdmans, 2000, p.181-183).
  76. Craig Troxel demonstrou biblicamente que ?o coração sente ira, alegria, inveja, fúria, medo ansioso, anseio, tristeza, amor doentio, angústia, desespero e muitas outras emoções (1Sm.1:8; 4:13; 2Sm.13:1; Sl.13:5; 69:20; Pv.13:12; 19:3; 23:17; Jr.8:18; Mt.5:22; Rm.9:2)? (TROXEL, Craig A.With all your heart: orienting your mind, desires, and will toward Christ. Wheaton: Crossway,2020, edição Kindle, cap. 15). Para esclarecer, a emoção não é uma função do coração, mas uma resposta externa e visceral às funções do coração. Sobre esse ponto, verADAMS, Jay E. A theology of Christian counseling: more than redemption. Grand Rapids: Zondervan, 1986, p.114). Por essa razão, o aconselhamento não deve parar na emoção, mas aprofundar-se até o coração humano como a questão central.
  77. A metáfora bíblica principal para o homem interior ou alma é o coração. Pierre apresenta um modelo bíblico do coração que inclui três funções inter-relacionadas e sobrepostas: cognição, afeição e volição (PIERRE, Jeremy.The dynamic heart in daily life: connecting Christ to human experience, p.22). Troxel define o coração como ?o centro governante da pessoa. Quando usado de forma simples, reflete a unidade do nosso ser interior; e, quando usado de forma abrangente, descreve a complexidade do nosso ser interior ? composto de mente (o que sabemos), desejos (o que amamos) e vontade (o que escolhemos).? (TROXEL, Craig A. With all your heart: orienting your mind, desires, and will toward Christ, edição Kindle, Introdução).
  78. JOHNSON, Susan M.The practice of emotionally focused couple therapy, p.40.
  79. Susan Johnson identifica cinco princípios centrais da abordagem humanista-experiencial: o foco no processo, a necessidade da aliança terapêutica, a orientação para a saúde, a centralidade da emoção e a importância da experiência emocional corretiva. JOHNSON, Susan M. The practice of emotionally focused couple therapy, p.41-43.
  80. Susan Johnson escreve: ?A teoria dos sistemas aqui se refere à abordagem estrutural sistêmica, exemplificada pelo trabalho de Minuchin e Fishman (1981). A teoria dos sistemas coloca o foco no contexto, isto é, nas interações presentes e no poder dessas interações de direcionar e restringir o comportamento individual. A marca característica de todas as terapias de sistemas familiares é que elas procuram interromper ciclos repetitivos de interação que incluem comportamentos problemáticos ou sintomáticos.? Ibidem, p. 45.
  81. Susan Johnson afirma que o primeiro objetivo da terapia é acessar e reprocessar as respostas emocionais subjacentes à posição interacional frequentemente restrita e rigidamente mantida por cada parceiro, facilitando assim uma mudança nessas posições em direção à acessibilidade e à responsividade, os elementos constitutivos de vínculos seguros. O segundo objetivo da terapia é criar eventos interacionais que redefinam o relacionamento como uma fonte de segurança e conforto para cada um dos parceiros.? Ibid., 15.
  82. Susan Johnson observa que ?o problema é enquadrado em termos da maneira como o casal interage e das respostas emocionais que organizam tais interações.? Ibid., 132.
  83. BRADLEY, Brent. ?New Insights into Change in Emotionally Focused Couple Therapy,? inFURROW, James L.; JOHNSON, Susan M.; BRADLEY, Brent A. (org.) The Emotionally Focused Casebook: New Directions in Treating Couples. New York: Routledge, 2011, p.62.
  84. JOHNSON, Susan M. The practice of emotionally focused couple therapy, p.17.
  85. Os três estágios contêm nove etapas. O estágio um inclui quatro etapas: (1) aliança e avaliação, (2) identificar o ciclo negativo/problemas de apego, (3) acessar emoções de apego subjacentes e (4) reformular o problema, o ciclo e as necessidades/medos de apego. O estágio dois inclui três etapas: (1) acessar necessidades implícitas, medos e modelos de si, (2) promover aceitação pelo outro ? expandir a dinâmica e (3) estruturar aproximação e resposta, expressar necessidades de apego e criar interações de vínculo. O estágio três inclui duas etapas: (1) facilitar novas soluções e (2) consolidar novas posições, ciclos e narrativas de apego seguro (JOHNSON, Susan M. The practice of emotionally focused couple therapy, p.21).
  86. Johnson explica que um vínculo de apego seguro é caracterizado por ?acessibilidade emocional mútua, responsividade e engajamento.? Ibid., 17.
  87. JOHNSON, Susan M. The practice of emotionally focused couple therapy, p.17.
  88. GREENBERG, Emotion-FocusedTherapy, p.85. Johnson explica: ?Um marcador é um ponto na terapia em que um tipo específico de expressão ou evento interacional sinaliza ao terapeuta um problema de processamento emocional ou de interação, ou uma oportunidade de intervir no que foi descrito acima.? (JOHNSON, Susan M. The practice of emotionally focused couple therapy, p.122). Esses marcadores podem ser de natureza intrapsíquica ou interpessoal.
  89. Johnson argumenta que ?a mudança não é, portanto, primariamente o resultado de insight, da expressão emocional ou de habilidades aprimoradas. Ela surge do terapeuta conduzindo o cliente PARA DENTRO e ATRAVÉS de sua experiência mais carregada emocionalmente. Isso resulta na formulação e expressão de uma nova experiência emocional que tem o poder de transformar a forma como o indivíduo estrutura seu drama interno, vê a si mesmo e se comunica com os outros.? Ibid., 43.
  90. Ibid., 59.
  91. Ibid., 193.
  92. JOHNSON, Susan M. The practice of emotionally focused couple therapy, p.49.
  93. Em Efésios 2:1?3, o apóstolo Paulo define o problema humano como sendo espiritualmente morto e vivendo de acordo com os desejos pecaminosos do coração. Portanto, segue-se que não há esperança à parte da regeneração e da renovação do coração humano. Veja também Tito 3.3-7.
  94. Louis Berkhof define santificação como ?aquela operação graciosa e contínua do Espírito Santo, pela qual Ele liberta o pecador justificado da corrupção do pecado, renova toda a sua natureza à imagem de Deus e o capacita a realizar boas obras? (itálico no original) (BERKHOF, Louis.Systematic Theology. Grand Rapids: W.B. Eerdmans, 4ª ed., 1996, p.532).
  95. Veja Romanos 8:29, 1 Coríntios 15:49, Efésios 4:13 e Colossenses 1:28. A mudança bíblica é nada menos que crescer à semelhança de Cristo.
  96. Aqui estão os cinco princípios fundamentais de Jones para a mudança bíblica. Primeiro, a mudança piedosa é obra de Deus (Romanos 8:28?39; Filipenses 1:6). Segundo, a mudança piedosa é motivada pela graça e pelas promessas de Deus. Terceiro, a mudança piedosa envolve o crente respondendo ativamente com fé e obediência à obra de Deus (Filipenses 1:6; 2:12?13). Quarto, a mudança piedosa é um processo de maturação, aquilo que os teólogos chamam de santificação progressiva (2 Pedro 1:3?11). Quinto, a mudança piedosa ocorre no contexto da igreja de Deus, isto é, dentro do corpo de crentes (Atos 2:42?47; Efésios 4:11?16; Hebreus 10:24?25). (JONES. Robert D. ?An Overview of the Change Process,? inJONES, Robert D.; KELLEN, KristinL.; GREEN, Rob. The Gospel for disordered lives: an introduction to Christ-centered biblical counseling. Nashville: B&H Academic, 2021, p.150?156.Publicadopor NUTRA Publicações com o título: Respostas do Evangelho as Aflições do Coração).
  97. Crer implica reconhecer e abraçar as provisões e promessas passadas, presentes e futuras de Deus feitas em Cristo. Arrepender-se significa voltar-se para Cristo com fé, ao mesmo tempo em que se abandona e renuncia aos pecados comportamentais e aos pecados do coração. Obedecer significa despir-se dos desejos pecaminosos e das obras da carne e revestir-se de Cristo, produzindo o fruto do Espírito. Ibid., 150?156.
  98. Direitosautorais ©2026 pela Association of Certified Biblical Counselors. Publicado pela Association of Certified Biblical Counselorswww.biblicalcounseling.com. 5401 North Oak Trafficway. Kansas City, Missouri. 64118, EUA.Este texto é umatradução de um ensaiooriginalmentepublicado pela ACBC. A traduçãofoirealizada com autorização da ACBC; no entanto, aentidadenão se responsabiliza pela precisãonem pela fidelidade do conteúdotraduzido.